Agora é a vez dos vilões

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Por que os personagens sombrios são tão amados na ficção? Alguém pode me responder isso? Alguém? 

De psicopatas a porcos sádicos, a literatura, tanto quanto o cinema, estão repletos de icônicos personagens perigosos que fazem sucesso e acabam revelando que existe o mal dentro de cada ser humano. Será essa uma característica em comum? Vamos falar mais sobre.

Enquanto Christian Grey, de Cinquenta Tons de Cinza é um personagem sádico, masoquista e agressivo ao extremo, Nick Dunne, de Garota Exemplar é um personagem frio e calculista, além de o principal suspeito do desaparecimento e possível assassinato de sua conjugue, Amy, que ao longo do livro também nos mostra não ser flor que se cheire. Mas afinal de contas, o que estes dois personagens tão distintos podem ter em comum?

Assim como muitos personagens dentro da literatura, assim como os citados acima, personagens com essa índole acabam chamando bastante a atenção do público pelo fato de não possuírem freio sociais, limites e regras que são comuns a todos, e, algumas vezes também podem ser desprovidos de sentimentos fulos. Um ótimo exemplo que podemos citar, é o tão famoso personagem Dexter, da série de livros homônima, que mata bandidos e faz justiça com as próprias mãos. Esse tipo de personalidade acaba dando vasão para a que o público simplesmente fantasie. Mas será que isso é algo politicamente correto ou psicologicamente sã? 

Acompanhem minha linha de raciocínio. O personagem Christian Grey, acabou se tornando tão famoso na literatura, entre as mulheres, por causa do seu comportamento altamente sexual, brutal, obsessivo, dominador, subjugante e praticante de vários tipos de agressões sadomasoquista, alguns dos temas que são corriqueiros e bastante frequentes na luta feminista. E isso não surpreendeu somente a mim. Apesar dos pesares a obra vendeu mais de 80 milhões de exemplares em todo o mundo. Brutalidade transformada em virilidade? Bem, isso acaba se tornando um assunto bem tétrico e um tanto quanto pessoal. Gostos a parte. Eu não poderia deixar de citar aqui para vocês um personagem icônico que me foi lembrado pela minha amiga Hanna durante a produção do texto. Vocês se lembram do caso do Maniaco do Parque, que mesmo depois de preso acabou recebendo milhares de cartas de fãs enlouquecidas e estarrecidas de admiração? Pois bem, a grande maioria eram de mulheres. E uma delas, por um acaso, acabou se casando com ele. Vocês lembram disso? 

Para a especialista em criminologia Ilana Casoy, personagens psicopatas ou com distúrbios psicológicos também fazem sucesso por criarem uma explicação distorcida da maldade. "A doença mental separa aquele individuo de nós. O que nos dá uma sensação de que só é mau quem é doente. Todos nós, porém, temos um lado ruim, porque isso é essencialmente humano. Nos permitimos viver algumas coisas na fantasia, pois sabemos o que é errado." Explicação essa que ainda não sei se considero válida ou não. Mas isso é assunto para uma outra ocasião.

Vamos dar uma olhadinha agora em alguns destes personagens icônicos que marcaram a literatura sádica e aterrorizante, sem nos prolongar muito, claro, afinal, estamos familiarizados com eles de certa forma. Se é que me entendem:

Norman Bates
A figura de Norman Bates, eternizado pelo filme Psicose (1960), de Alfred Hitchcock, foi baseado no personagem do livro homônimo que inspirou o longa, escrito por Robert Bloch e lançado em 1959. A criação de Bates, no entanto, não foi fruto apenas da imaginação do romancista: o terrível assassino de Psicose foi inspirado em um criminoso real, o americano Ed Gein, acusado de ter matado e esquartejado doze mulheres em pouco mais de dois anos. Levado a julgamento, ele confessou apenas dois assassinatos e, por conta de seu discurso incoerente e suas divagações, foi considerado insano. Ele permaneceu internado no Hospital Central do Estado até 1984, quando faleceu.

Hannibal Lecter
Criado pelo escritor Thomas Harris para o livro Dragão Vermelho, de 1981, o personagem Hannibal Lecter é um dos mais conhecidos assassinos em série da história da ficção. O médico psiquiatra canibal aparece como personagem secundário nos dois primeiros romances de Harris, mas, no terceiro, Hannibal, de 1999, ele já ganha destaque como o protagonista da história. O último livro lançado, Hannibal, A Origem do Mal, de 2006, mostra a infância e o desenvolvimento do personagem em um assassino.

Jack Torrance
Criado por Stephen King para o livro O Iluminado, de 1977, Jack Torrance é um professor e escritor que apresenta comportamento agressivo, principalmente por causa de seu problema com o álcool. Quando suas ações desmedidas o fazem perder o emprego em uma escola preparatória, Torrance aceita se mudar para cuidar de um hotel no estado do Colorado, nos Estados Unidos. Isolado em um lugar enorme e cheio de histórias macabras, como o assassinato de duas meninas que teria acontecido no local, ele fica psicótico e perde o controle.

Dexter Morgan
Dexter Morgan foi criado pelo escritor Jeff Lindsay para protagonizar uma série de livros, com seis volumes já lançados desde 2004. Analista forense especialista em padrões de dispersão de sangue na polícia de Miami, Dexter tem acesso a informações privilegiadas sobre assassinos que não conseguiram ser condenados pela lei. Assim, ele mesmo os persegue e, alimentando sua necessidade de derramar sangue, mata os criminosos.

Alex DeLarge
Alex DeLarge é o personagem central do livro distópico Laranja Mecânica, escrito pelo britânico Anthony Burgess e publicado em 1962. Um psicopata insensível que rouba, mata e estupra sem culpa. O rapaz lidera três amigos que, assim como ele, não hesitam em cometer atrocidades. A gangue faz uso da gíria chamada de Nadsat, criação de Burgess que mistura as línguas inglesa e russa com coloquialismos.

É basicamente este senso de distanciamento e limite entre a realidade e a ficção que acaba nos atraindo tanto. O fato de sabermos que somos sãs nos permite vivenciar, mesmo que um pouco, esse lado porco sádico e psicopata dentro de nós. Afinal, somos humanos.


Att,
Vitor Iury Neves

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