"A Lenda de Korra", o desenho mais subversivo do ano

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A Lenda de Korra (Avatar - The Legend of Korra), que teve seu último episódio transmitido recentemente nesta Winter Finale, exclusivamente online, conseguiu se tornar o programa mais subversivo do ano. Ainda mais, também poderá ter mudado a forma como são produzidos os programas infantis para a televisão. Felizmente.

No dia 18 de dezembro, a Nickelodeon transmitiu o último episódio da animação A Lenda de Korra, que encerra a maravilhosa jornada de quase uma década que começou lá atrás, em A Lenda de Aang. Todavia, a emissora já havia retirado de sua grade de programação A Lenda de Korra desde o início do ano, transmitindo suas duas últimas temporadas, basicamente, online. E na noite da exibição da Season finale, os criadores da animação, Bryan Konietzko e Michael Dante DiMartino, inovaram ainda mais. Por isso posso dizer que os programas infantis nunca mais serão os mesmos. 

A Lenda de Korra quebra todas as barreiras impostas por animações até então, entre eles tabus raciais, sexuais, políticos e filosóficos, tornando-se o programa mais poderoso do ano.

O texto a seguir pode conter spoilers. Atenção ao ler.

Vamos concordar que antes de introduzirem seus personagens adolescentes de A Lenda de Korra, os criadores primeiro criaram todo um cenário mais clássico moderno em A Lenda de Aang. A animação foi transmitida no período de 2005 a 2008, e foi responsável por grande parte do sucesso e audiência da emissora. O aspecto da cultura oriental, mesmo que introduzida em uma animação de aspecto ocidental, fez com que a animação se tornasse tremendamente influente na audiência infantil. O sucesso foi tão grande, que os criadores conseguiram respaldo o suficiente para poderem criar uma segunda série, que estreou em 2010.

Quando dizemos que tudo o que é proibido é mais gostoso, é verdade. A Lenda de Korra nunca foi proibida, censurada ou cancelada. A animação foi ao ar em um cobiçado horário nobre aos sábados pela manhã. Porém tudo mudou quando a série exibiu a morte de um personagem no fim da season 1, fazendo com que começasse a ser exibida as sextas pela noite, pelo fato de ser considerada muito obscura e adulta demais para o público das matinês de sábado. Porém, as coisas só estavam começando, e com a chegada da season 2, o material de Korra começou a ficar ainda mais pesado e obscuro, misturado a vários problemas técnicos, tais como vazamento de episódios e problemas internos, resultou na surpreendente suspensão da animação da grade de programação. Depois disso, Korra passou a ser exibida, exclusivamente, online. A emissora declarou que a animação tinha se tornado obscura demais para que eles pudessem televisionar. É claro que isso tornou a série ainda mais irresistível, principalmente para o publico jovem, que já tinha acompanhado A Lenda de Aang há quase 5 anos.

Vamos adentrar um pouco mais nesta "obscuridade" na qual a Nick mencionou.

Como já citado acima, a animação não se passa no nosso mundo, todavia possui uma grande influência oriental. Talvez tenha sido por este motivo que o filme de Shyamalan tenha sido tão controverso. Vamos ser sinceros, por mais que os programas infantis estejam se tornando cada vez mais diversificados, ter uma heroína forte, corajosa, independente e que não é caucasiana, é sim um fator muito importante a ser levado em consideração.


Quem acompanhou a série anterior (A Lenda de Aang - assim como eu), sabe que tivemos muitas heroínas fortes e poderosas, como Toph e Katara, pode até ser surpreendente saber que, apesar de Korra ser tão poderosa e petulante quanto, não foi tão facilmente aceita. Alguns executivos da Nick estavam temerosos em apoiar uma animação com um protagonista feminino. É mais claro que cristal que a sabedoria da televisão convencional é que garotas assistem desenhos de garotos, mas garotos não assistem desenhos de garotas. Então antes da animação estar 100% aceita pela Nick, ela passou por alguns testes, e surpreendentemente, os garotos disseram que Korra era uma garota forte, musculosa, atlética e até mesmo sexy em alguns aspectos. Vamos relembrar que a série estava atingindo um público mais jovial. Então sim, Korra foi montada e trabalhada toda em cima deste esteriótipo de mulher forte. 

Mas ao contrário de sua série anterior, Korra esta cheia destas mulheres fortes, muitas delas já atingem a 2ª ou 3ª geração. E algumas ainda são apenas crianças. Podemos dizer que Korra, é sim, um programa que celebra o feminismo (coisa na qual eu super apoio). E na noite da season finale, tivemos justamente duas mulheres peculiarmente fortes e destemidas batalhando por seus ideais.

Isso não quer dizer que os personagens masculinos não tenham voz na série. Muito pelo contrário. Os criadores trabalharam pesado nos participantes masculinos da animação. Inicialmente nos é apresentado a dupla de irmãos Mako e Bolin, que de uma maneira ou outra tiveram seus momentos de heroísmo ao longo de todas as quatro temporadas. Como não amar Bolin, o grande coração a série?! 



Nenhum dos assuntos mencionados acima são fáceis de serem tratados em um programa infantil, mais quando A Lenda de Korra começou a adentrar no mundo político e de credo, se tornou quase insustentável para a Nick. Mas os criadores nunca se acanharam, pois afinal, aquele era o grande momento de Korra, fazendo, na verdade, com que se aproximassem ainda mais em alegorias como armas de destruição em massa, fascismo, transtornos pós-traumáticos, violência doméstica, totalitarismo, imperialismo e etc.. Quem conhece a série, tanto quanto sua antecessora, sabe que espiritualismo é um assunto recorrente e de suma importância para a animação. Mas o interessante é que, apesar da grande influência oriental neste quesito, Korra nãos nos influencia ou nos força há alguma religião ou credo em específico. Então outra vez, mais assuntos complicados e pesados para o público alvo da Nick.

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Acho que todo mundo conhece aquele clichê básico de que o herói sempre fica com a mocinha no final da estória, certo? Literalmente em Korra, isso não foge da premissa. Um dos casais mais shipados da série, Varrick e Zhu Li, finalmente se entenderam e usaram o bordão da série: "They did the thing" (só os fortes entenderam).

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Porém, com tudo, todavia, entretanto, a real "Thing" só aconteceu nos últimos segundos do episódio, quando Korra caminhou para um portal espiritual, não com Mako, seu "Parceiro romântico" da série (abre muitas aspas) - não senhor -, tão pouco com o Príncipe Wu, mas sim com sua leal e amada amiga, Asami. Mas se você acha que isto denota apenas a uma mera amizade... . querido! I don't think so.

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Esta imagem de encerramento da série é mais como um tipo de alusão ao beijo entre Aang e Katara no final de Avatar - A Lenda de Aang. Porém os criadores acharam melhor deixar isto apenas como uma alusão mesmo, pois até mesmo para uma animação tão para frente quanto A Lenda de Korra, uma relação física homossexual ainda esta um pouquinho distante de acontecer (apesar disto já ter acontecido em Naruto). Porém esta imagem também nos conota a como Korra e Asami se conheceram. Na primeira temporada, Korra conhece uma poderosa executiva e inventora, quando ambas brigam pelo mesmo garoto, este sendo Mako. Mas ao decorrer das temporadas, uma verdadeira amizade foi florescendo entre as duas personagens, e você não pode se fingir de desavisado. O relacionamento de ambas, que superou o anterior com Mako, de ambas, fora plantado a temporadas.

Então é assim que uma das maiores séries da televisão chegou em seu encerramento. A Nick exibiu seu último episódio no dia 18 de dezembro de 2015. Ainda não tivemos nenhuma confirmação da emissora ou dos criadores sobre uma futura e questionável sequência para a saga Avatar.

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