Resenha: Em busca da Terra do Nunca [Filme]

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“Não deviam mandar as crianças para cama, cada dia que acordam estão mais velhas.”
Finding Nerverland (Em busca da Terra do Nunca) é um filme britânico-americano de 2004, um drama biográfico dirigido por Marc Forster, com roteiro baseado na peça teatral de Allan Knee.

Eu posso dizer que dos filmes assistidos ao decorrer deste ano de 2015, Finding Neverland foi o melhor de todos eles. Acabei de assisti-lo há pouco, e ainda com lágrimas nos olhos, percebo que resenhá-lo aqui para vocês esta se tornando uma tarefa bastante complicada.

O filme conta a história do Sir James Matthew Barrie, autor do livro Peter Pan. James é um famoso autor dramaturgo que, mesmo estando quase na meia idade e com problemas conjugais pendentes, em determinado momento acaba encontrando muita dificuldade para escrever suas peças de teatro, pois suas obras não estavam sendo muito bem recebidas pelo público.

O texto a seguir pode conter spoilers da vida de JM Barrie.


Em meio à um desentendimento com sua esposa, Mary Ansell Barrie, James acaba indo buscar inspiração em outro lugar, e como se estivesse destinado a isso, ele acaba conhecendo a viúva Sylvia Llewelyn Davies, mãe de quatro filhos, com os quais ele acabou criando uma amizade muito forte, principalmente com o jovem Peter.

James sempre foi um autor de peças teatrais e livros destinados para adultos, incluindo seu mais célebre trabalho The Boy Who Wouldn't Grow Up (O Menino Que Nunca Quis Crescer, em português), de 1904, que só em 1906, o ano onde nosso filme se passa, deu origem ao famoso personagem Peter Pan, um menino criado pelas fadas e que vive altas aventuras em um mundo mágico chamado Neverland (Terra do Nunca), aonde não envelhecia jamais.

“Quando achamos um lampejo de felicidade nesse mundo, sempre há os que querem destruir.”

De fato, Barrie se inspirou nos filhos da madame Sylvia, e em seu relacionamento amistoso com eles, para criar criar o mundo mágico de Peter Pan e todas as suas aventuras. E de fato, Barrie se tornou tutor das crianças após a morte de Sylvia até a sua própria morte em 1937 devido a uma forte pneumonia. Porém em vida, James Barrie doou todos os lucros arrecadados com os direitos autorais de Peter Pan para o hospital pediátrico Great Ormond Street.

O filme marca como um todo um grande espetáculo de atuação e capacitação, afinal não poderia ser menos do que isso, pois contamos com as incríveis atuações de Johnny Depp e Kate Winslet nos papeis principais e Dustin Hoffman e Julie Christie nos papeis de apoio. Como já dito, o filme também conta com o mais que competente diretor Marc Forster, que junto com um produção de fotografia impecável e uma produção excelente na trilha sonora, fizeram de Finding Neverland um sucesso de bilheteria, alcançando uma pontuação de 67% no Metacritic. Isso tudo, é claro, acabou lhe rendendo 7 indicações ao Academy Awards, com a entrega do Oscar de Melhor Trilha Sonora do ano. O filme também recebeu 5 indicações no Golden Globe Awards, 11 indicações ao BAFTA, também foi indicado ao prêmio de Melhor Revelação Masculina com o ator Freddie Highmor, além de ter recebido o Prêmio Lanterna Mágica do Festival de Veneza.

Toda a história de Barrie nos é passada com uma intimidade tão grande, tão forte, tão verdadeira, que se torna impossível não criar uma certa empatia, não só por ele, mas por todos os personagens em cena, que além de estarem contando uma história, também estavam fazendo uma grande crítica a sociedade da época, da Inglaterra de 1906. A Era Vitoriana trouxe sim uma época de paz e fartura para o país, mas também trouxe declínio e mortalidade para a população. Barrie sofreu durante sua carreira com a sociedade machista e retrógrada da época, que até chegaram a chamá-lo de desvirtuador e pedófilo, quando na verdade suas intenções sempre foram das melhores.

Enfim, um filme para se refletir e se emocionar a cada cena. Uma outra recomendação rápida que eu também posso fazer para vocês, para todos aqueles que se interessam pelo assunto ou simplesmente para aqueles fãs - assim como eu - de Peter Pan, é que em 1896, Barrie lançou uma biografia sobre sua amada e falecida mãe, Margaret Ogilvy, com a qual possui uma história bastante triste, porém ao mesmo tempo, uma história bastante emocionante, onde ele mesmo afirma, em determinado momento, ter deixado de ser criança.

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