Resenha: BETA - Rachel Cohn

13:07:00




Oi, oi pessoal. Hoje eu trago para vocês a resenha do livro BETA, da Rachel Cohn. 

Este livro foi o sorteio da 1ª #TBR de Novembro (vocês podem conferir o vídeo clicando aqui), e como bem sabem, eu sempre trago a resenha escrita e o Book Talk dos livros desse projeto para vocês. Porém, como vocês conferirão na resenha a seguir, eu não curti muito o livro, sendo assim, não irei trazer o Book Talk dessa vez.

ATENÇÃO: o texto a seguir pode conter spoilers.

BETA era um livro que eu estava com bastante vontade de ler, por causa da premissa dele, e também pelo fato dele ter sido escrito pela Rachel Cohn, mesma autora de Nick & Nora, um romance que eu gostei bastante. Ele estava na TBR do meu Projeto Literatura Rosa, também estava no meu Projeto 10 Livros para 2015 e no Projeto 5 Distopias para 2015. Como vocês podem conferir neste vídeo, eu já o tinha há bastante tempo, e se eu o tivesse lido prontamente, talvez eu tivesse me poupado de tanto desgosto.

BETA é uma distopia que, se não fosse pelos pontos que apresentarei aqui, teria tudo para se tornar uma das minhas preferidas. Logo no início da estória nós somos apresentados a Elysia, uma BETA, que vem a ser um tipo de clone genético, assim como todos os trabalhadores de Demesne, uma ilha paradisíaca particular. 

Demesne é um arquipélago formado após uma gigantesca erupção submarina que aconteceu a milhares de quilômetros da costa do continente (não sabe-se qual), e isso tudo deu-se após uma infeliz época da história da humanidade chamada Guerras da Água. Esse arquipélago mostrou-se ser bastante promissor logo no início, então fora comprado e desenvolvido por alguns dos maiores e mais importantes humanos do continente. Essas pessoas fizeram de Demesne uma ilha paradisíaca para pessoas de elite, assim como eles. Todo o oceano ao redor da ilha fora reformulado pelos melhores cientistas e gurus espirituais para criar uma perfeita e luxuosa marinha. Eles também refizeram o canal aquático de Demesne e o chamaram de Mar Io. Até o ar de Demesne é melhor e mais abastado.

Pensando nisso, eles deduziram que não seria certo por mão de obra humana para trabalhar em Demesne, e é exatamente ai que nossa protagonista entra. A Dra. Lusardi é a maior e a mais respeitada cientista do ramo de clonagem do mundo, e ficou responsável por criar clones para trabalharem na ilha. Esses clones são produzidos através do genoma humano daqueles que morreram de causas naturais dentro de um período de tempo de 24h. A Alma desses humanos é separada da matéria e só depois acontece o processo de clonagem, e dentro de 48h um clone perfeito substitui o lugar do indivíduo morto na sociedade, e por fim é designado ao seu serviço dentro da ilha.

Elysia é um BETA, um clone que esta em processo de aperfeiçoamento, porém mais do que isso, Elysia também é o primeiro BETA criado a partir do genoma de um doador adolescente, o que seria uma grande guinada na pesquisa científica de clonagem caso ela desse certo.
"De acordo com a Dra. Lusardi, sou sua melhor BETA. Minha estética acentua o estilo de vida de Demesne, como os clones devem fazer. A brochura holográfica diz que minhas medidas são um modelo perfeito."
A estória começa de fato quando Elysia é comprada pela mulher de um Governador e vai morar em sua casa, inicialmente para fazer companhia a seus dois filhos mais novos, já que sua filha mais velha, Astrid, foi para a faculdade. Elysia sabe que clones não possuem Alma, sendo assim são incapazes de terem sentimentos comuns, como: amor, tristeza, felicidade, compaixão, empatia, ansiedade, excitação e etc., mas ao mesmo tempo possuem o conhecimento de todos eles, sabendo reconhecê-los nos humanos e até mesmo expressá-los fisicamente, porém nunca emocionalmente. A guinada da estória se dá quando Elysia começa a se perguntar se ela deveria ou não estar sentindo as coisas que esta sentindo.
"A água me envolve e imagino que é como um útero que alimenta aqueles que não são criados em um aparelho de duplicação humana. É um conforto caloroso. É a segurança. Não consigo acreditar como esse sentimento é bonito. Minha pele absorve essa água suave. É como um milagre."
O grande ápice da estória vai se dar em um determinado momento em que, cansada de fingir ser aquilo que ela tem certeza que não é, Elysia decide não mais obedecer aqueles que supostamente seriam seus donos, e decide que deve, mais do que isso, anseia, viver a vida que é dela por direito, Ela percebe que aquele mundo ideal não tem nada de perfeito, e mesmo não conhecendo o mundo do lado de fora, algo diz a ela que drogas, prostituição, mentiras e todos os tipos de abusos domésticos não são bem o ideal de perfeição, e isso tudo acaba levando Elysia, inexoravelmente, a uma descoberta que, ao mesmo tempo é sensacional e completamente aterrorizante e eloquente.

O livro para mim segue por uma premissa sensacional, pois a estória foi muito bem pensada e seguia um fluxo de ideia bastante bom. Realmente é visível que a autora se entregou no desenvolvimento desse enredo, porém a unica coisa que para mim foi fatal, foi a narrativa. Talvez para vocês não tenha nada demais, ou talvez vocês até prefiram assim, mas a 1ª pessoa do presente é um tipo de narrativa que não costuma descer muito bem para mim. Porém preciso fazer uma ressalva: essa opinião não se aplica a todos os casos. Jogos Vorazes e Delírio foram dois livros que partem da mesma premissa de narrativa, e ambos me agradaram muito. Então vocês podem imaginar como foi difícil para mim entender como uma autora que conseguiu desenvolver uma narrativa tão boa em um livro (Nick e Norah) e não noutro. O livro também é consideravelmente curto, e o fato de ter uma estória tão boa dessas em mãos, acabou fazendo toda a narrativa ficar um pouco acelerada, tropeçando no meio do caminho algumas vezes.

Bem, aparentemente a Rachel Cohn já publicou o segundo volume dessa, aparentemente trilogia, chamado Emergent, que foi lançado em outubro de 2014, e que aparentemente ainda não deu as caras por aqui. A editora detentora dos direitos é a Editora iD.

Levando tudo em consideração, a julgar pela estória, pelo desenvolvimento, pela premissa, eu leria sim o próximo volume, por curiosidade, não por ansiar mais da escrita 'sensacional' da autora.

Nota: 3,0

Att,
Vitor Iury Neves

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